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“Geladeira, liquidificador, TV, DVD, computador, água puxada pela bomba elétrica, chuveiro com água quente, tanquinho para lavar roupa. Tudo que uma casa digna tem, a minha tem”, enumera Patrícia de Jesus Moura Almeida, 32 anos, moradora do assentamento Olga Benário, em Ipameri (GO). No sábado (6), ela e mais 83 famílias do assentamento comemoraram as conquistas recentes: construção das casas definitivas e a instalação da rede elétrica.
Feliz da vida, Patrícia mostra o banheiro da nova casa todo azulejado. A agricultora diz que valeu a pena lutar por oito anos para conseguir a parcela no Olga Benário. “Hoje tenho casa para morar e energia na porta”, afirma. Ela conta que antes morava na cidade, mas, o marido não tinha emprego fixo e o dinheiro não dava para pagar aluguel, água e luz. “Também não via meu filho, pois saía de madrugada para trabalhar e só voltava à noite, quando o menino já estava dormindo”, lembra.
Outro que trocou a cidade pelo campo foi o jovem agricultor Flávio Fernandes Dias (22), que divide a parcela de 28 hectares com os pais. Há cinco anos, eles vivem no Olga Benário. “Aqui, terei uma casa confortável - a sua ainda está em construção - e tenho a segurança de ter onde trabalhar”, argumenta. Para a safra deste ano, ele espera uma renda de até R$ 3 mil com a venda de 2 hectares de milho.
Quando questionado sobre a chegada da luz, ele abre o sorriso e diz que em casa, agora, tem televisão, geladeira e chuveiro elétrico. “Nossa, tanto tempo no baldinho!”, fala num tom saudosista. Rapidamente faz as contas e diz que foram sete anos vivendo sem energia elétrica.
Para as cinco filhas de Virna Aparecida Custódia (42), a luz elétrica trouxe lazer e diversão. Quando não estão na escola ou ajudando os pais nos afazeres de casa e da horta da família, as meninas estão esticadas no colchão da sala assistindo desenhos na TV.
Dona Virna conta que há quatro meses deixou o barraco de lona e mudou para a nova casa e que a luz chegou a três. “Melhorou tudo! Não troco a vida aqui no campo por uma na cidade”, afirma.
Meio ambiente
No sábado, os convidados da festa de inauguração também ajudaram a plantar mil mudas de árvores típicas do cerrado, que vão recompor a nascente do Rio do Braço, que corta o assentamento. As mudas foram doadas pela Secretaria Estadual de Agricultura e Pecuária (Seagro).
Benefícios
As casas foram construídas durante o ano passado com recursos do Incra/GO. Até o final de novembro, a autarquia havia liberado o pagamento de créditos para habitação de 78 famílias, no valor total de R$ 546 mil. Este ano, as outras seis famílias do Olga Benário serão beneficiadas.
Já a eletrificação ficou a cargo do Governo Federal, por meio do Programa Luz Para Todos. Todas as 84 famílias de trabalhadores rurais assentadas no local foram contempladas. Foram investidos R$ 785 mil para instalar energia elétrica no assentamento. Os recursos são do Ministério de Minas e Energia.
A festa de inauguração das casas e da instalação elétrica do Olga Benário foi realizada no sábado (6) e teve a participação de umas duzentas pessoas. A comemoração contou com a participação do superintendente do Incra em Goiás, Rogério Arantes; do secretário estadual de Agricultura e Pecuária, Leonardo Vilela; deputado estadual Mauro Rubem; o prefeito de Ipameri Wilson Sugai e a vice, Ludmila Cozac, vereadores e vários representantes de movimentos sociais de luta pela terra.
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