|
Mesmo com chuvas irregulares e fracas caídas em Mossoró, 288.6 milímetros, conforme informações da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), entre janeiro e junho deste ano, o assentamento Maisa (Mossoró/Baraúna) colheu mais de 200 toneladas de alimentos neste primeiro semestre de 2010. A produção de grãos, frutas e hortaliças é fruto da implantação de um sistema de irrigação em 43 hectares, em três diferentes agrovilas do Maisa, um investimento feito por meio do Crédito Fomento, do Incra. A expectativa é dobrar a produção para o segundo semestre deste ano.
As culturas de milho, feijão, melancia, macaxeira e tomate foram responsáveis por mais da metade dessa produção. Somente na Agrovila Montana, por exemplo, onde são irrigados 11 hectares, nas últimas duas semanas foram colhidas 22 toneladas de melancia. Para Maria da Conceição Raulino, uma das produtoras da Montana, sem a irrigação os trabalhadores rurais não teriam alcançado tal êxito.
A produção de melancia foi comercializada na Central de Abastecimento de Alimentos (Ceasa) de Fortaleza (CE), ao preço de R$ 0,40/quilo. A experiência com irrigação deu tão certo que as 52 famílias da agrovila Montana estão preparando a terra para plantarem cinco hectares de melancia e macaxeira nos próximos dias. Até o final do ano, outra safra da fruta deverá ser colhida. “Nossa ideia é dobrar a produção de melancia”, comemorou Maria Conceição.
Na agrovila Poço 10, um grupo de 20 famílias de trabalhadores também investiu o recurso do Crédito Fomento, correspondente a R$ 2,4 mil por família, em sistema de irrigação. O engenheiro agrônomo do Incra, Marcílio Rocha, explicou que as agrovilas Montana, Poço 10 e Vila Nova II foram as primeiras a receberem o sistema. Os produtores participaram de um projeto educativo com o objetivo era ensiná-los como lidar com a irrigação.
“Muitos nunca tinha trabalhado com esse sistema. Por isso, precisaram aprender para, então, ensinar aos demais”, ressaltou o engenheiro agrônomo. Rocha acredita que em anos de chuvas irregulares, como em 2010, a irrigação é a melhor alternativa para garantir produção. “Quando pensamos o Maisa como espaço para 1.150 famílias morarem e produzirem, a irrigação já fazia parte dos planos do Incra”, ressaltou.
No Poço 10, em 12 hectares irrigados foram colhidas 44 toneladas de milho, feijão, batata doce, pimentão e macaxeira. Até o final do ano, na mesma área deverão ser colhidas cerca de 60 toneladas de feijão e outras 10 de macaxeira. Nesta agrovila, o trabalhador assentado Jonaci Ferreira comemora a colheita de feijão verde. Entre maio e junho passados, ele comercializou 25 mil quilos do grão para a Central de Abastecimento de Alimentos de Mossoró (Cobal). Outros 35 mil quilos já estão plantados e com negociação garantida para agosto e setembro próximos. Jonaci trabalha numa área de 1,5 hectares, também irrigados através do Crédito Fomento. “Sem essa ajuda da água da irrigação, não tinha colhido nada com as poucas chuvas que caíram aqui”, festejou.
Assim como o Poço 10 e a Montana, na agrovila Vila Nova II são 20 hectares onde 53 famílias plantam milho, feijão, tomate, gergelim e jerimum. Nesta área, cerca de 30 toneladas de frutas, grãos e hortaliças foram colhidos entre maio e junho. Desde total, mais da metade foi de milho, melancia e feijão, produtos muito apreciados pelos nordestinos, principalmente no período das festas juninas.
Pronaf
A expectativa do Incra no Rio Grande do Norte é de que após as 1.150 famílias assentadas acessarem os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), previsto para os próximos meses, o Maisa se consolide como um dos maiores assentamentos rurais do país, não apenas em extensão (19,7 mil hectare), mas em produtividade. “Na verdade, desde a sua criação, o Maisa apresenta um aumento contínuo de produção. É um assentamento jovem, com um menos de cinco anos de criação, em pleno desenvolvimento”, afirmou o superintendente do Incra/RN, Paulo Sidney Gomes.
Histórico
O Incra desapropriou a fazenda Maisa em 2004, quando o imóvel rural não cumpria seu papel social, de acordo com a Constituição Brasileira. Na época, a desapropriação custou as cofres públicos R$ 8.909.077,48, preço de mercado pela terra nua e pelas benfeitorias feitas, seguindo normas técnicas do Incra e com base nas pesquisas de caráter legal feitas na região.
No momento da desapropriação da Maisa, o imóvel estava produzindo em apenas 223,1 hectares. Havia produção de acerola e caju. Comparado ao momento atual, as famílias assentadas estão produzindo numa área quatro vezes maior que a encontrada pelo Incra. As 1.150 famílias que moram na Maisa têm acesso às condições de cidadania, com saúde, educação e postos de trabalho garantido. Hoje, as famílias assentadas vivem uma nova realidade no local. Elas trabalham na recuperação dos pomares existentes de acerola, manga e caju. Também lidam no plantio de frutas tropicais como a melancia e o melão, cuja produção passada trouxe ao imóvel o tráfego intenso de caminhões, que saíram lotados de frutas para o mercado local e internacional.
|